segunda-feira, 21 agosto 2017
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1ª Prenda do RS – Roberta R. Jacinto

Boa noite amigos!!!

É com muita alegria que hoje trago aqui pro Cantinho um texto muito especial, escrito pela ainda atual 1ª Prenda do Rio Grande do Sul, Roberta Jacinto, especialmente para o nosso Blog.

Conheçam um pouquinho mais sobre a trajetória desta baita prenda que realizou não só o sonho dela, mas também o sonho de muitas de nós que já vivenciamos a magia das Cirandas…

“Há um bom tempo eu acompanho o Cantinho Gaúcho, mas, infelizmente, a
correria do dia-a-dia me impedia de contribuir efetivamente.
Hoje sobrou um tempinho (coisa rara nessa vida de prenda) e eu decidi escrever.
Pra começar, queria te agradecer, Carol, pelo carinho que tens com a nossa cultura,
bem como pela tua preocupação e empenho para que ela seja preservada.
Sem segundas intenções, apenas por amor, tu auxilia milhares de jovens com
tuas postagens diárias. Que felicidade poder ter pessoas como tu em nosso meio!

Agora, quanto ao ‘tal texto…’
Hoje, 19/05/2017, completa exatamente um ano da minha chegada a Passo Fundo.
Era o início da realização deste sonho, embora os primeiros passos tenham sido
dados bem antes. Lembro bem daquela tarde, início de noite.
O tempo era um pouco chuvoso e o alojamento em frente ao Lalau.
Cheguei no ginásio, arrumei meu cantinho pra dormir e fiquei ali, pensando em tudo
que já havia passado. Hoje, coincidente e nostalgicamente, sobrou tempo e
eu resolvi escrever. Lembro da minha mãe falando para eu ir na despedida
e eu dizendo que não, que queria ficar ali. Fiz, na verdade, o que me deu vontade.
Eu queria viver o meu momento, talvez por isso deu certo. Não fiquei pensando muito
em protocolos e paradigmas, fui mais Roberta do que nunca.

Enquanto isso, a mãe seguia apavorada porque eu estava “calma demais” e pensativa.
Mal sabia ela que, por certo, tinha um anjo me guiando lá de cima.
Afinal, apesar de “fazer o que tinha vontade”, não seria isso que me manteria calma.
Pai, tenho certeza que tu estavas comigo o tempo todo… Até quando minhas costas
doíam, mesmo depois de tomar quatro relaxantes musculares antes do baile.
Acho, de verdade, que tu queria que eu tivesse um ‘pouco’ a mais de adrenalina.
Queria ‘me testar’, como tantas vezes fez. Queria que a guria que dizia ‘mãe, vai pro
baile e se eu ganhar algo tu me chama’, se sentisse desafiada e passasse por
cima daquela dor. Lá no fundo, eu sei que tu deveria estar dizendo,
assim como disse a oito anos atrás: ‘independente do que acontecer, não desiste, vai atrás’.

E eu fui.
A cada prova, eu fui. Fui eu mesma, abracei os desafios e venci os obstáculos.
Fui em busca, não desisti. Cresci, chorei, ri, brinquei, abracei.
Fui em busca da felicidade, em primeiro lugar (isso eu aprendi com a
Júlia Graziela – ‘primeiro tu tem que ser feliz, depois vem o resto’, ela sempre dizia).
Consegui. Realizei o meu maior sonho de ser. Meu coração se aliviava ao ver
inúmeras carinhas inchadas, de tanto chorar de felicidade.
Minha alma estava lavada. Mas, por incrível que pareça, depois disso veio o maior desafio.

Apesar de infinitamente feliz, da preparação intensa e dos tantos momentos de reflexão,
era difícil vislumbrar de que forma poderia fazer o melhor para honrar e fazer
valer a conquista deste sonho que era meu e de tantos.
Por diversas vezes eu me perguntava: ‘como seria a prenda ideal?’, ‘como deve
ser meu comportamento?’, ‘o que eu devo mudar?’, ‘será que sou o suficiente?’.
Mas Deus, em sua infinita bondade, colocou muitos anjos em minha vida e,
certo dia, um deles soprou: ‘seja o melhor que puder, sem deixar de ser quem tu és’.
Desde então foi assim: em busca do melhor, sem mudar minha essência e transformando
tudo aquilo que em mim havia de negativo. Não dei ouvidos aos tantos ‘seja mais mocinha’,
‘seja mais delicada’, ‘prenda tem que ser assim ou assado’, ‘prenda tem que falar baixo’,
‘prenda do estado tem que isso ou aquilo’… A única coisa que busquei – e que
de fato era e sempre será minha responsabilidade – foi preservar a cultura gaúcha
e todos os valores que fazem parte do movimento tradicionalista.

Fui feliz assim. Esse final de semana, completo 30 regiões tradicionalistas,
buscando preservar o que eu acredito, e é por isso que sinto o dever cumprido.
Não pelo fato das regiões, mas por perceber que eu não estou sozinha.
A cada evento, as palavras de incentivo, carinho e reconhecimento fazem meu coração
palpitar como se dissesse: tu estás honrando os teus e, o melhor, não estás sozinha.
Por isso, fica a minha eterna gratidão por cada palavra, pelo apoio, pela oportunidade.
Embora o coração esteja apertado e o ‘nó na guela’ seja dos grandes, eu sei que é preciso
que as folhas se renovem para que a árvore possa dar novos frutos.

Agora, sigo minha caminhada, e a estes frutos, que terão a oportunidade de escrever
uma nova página no livro dos seus sonhos, digo que Bagé estará de braços abertos,
esperando cada um. Sejam vocês mesmos, para que a essência deixada não
pertença ao fruto de outro alguém.

Com carinho,
Roberta R. Jacinto,
1ª Prenda do Rio Grande do Sul 2016/2017″.

Fonte: Cantinho Gaúcho.

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