quinta-feira, 13 dezembro 2018
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A atualidade do tradicionalismo (parte 1)

Nossa coluna semanal vai expor durante as próximas semanas tópicos sobre o que Jarbas Lima escreveu sobre a ATUALIDADE DO TRADICIONALISMO, através de sua tese “O Sentido e o alcance social do tradicionalismo”, que está publicada junto ao site do MTG RS.

No Congresso Tradicionalista realizado em Dom Pedrito, Jarbas Lima apresentou uma tese sobre o Sentido e o Alcance Social do Tradicionalismo. Nela ele examinou alguns valores da tradição gaúcha, procurei situar o seu conteúdo no âmbito da cultura e da sociedade Rio-grandense, analisando o tradicionalismo enquanto movimento social, suas possibilidades e perspectivas.

Pouco tempo depois, nos meses de março e abril, deparei-me com excelente trabalho publicado pelo jornalista Carlos Wagner, jornal ZERO HORA. Era um conjunto de sete reportagens sob o título geral “O Brasil de Bombachas”. Nelas se conta a história de homens audaciosos, que saíram do Rio Grande para edificar frentes pioneiras nos Estados do Amazonas, Pará, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Bahia, Maranhão, Acre, Rondônia, sem falar no oeste de Santa Catarina e do Paraná. É uma verdadeira epopéia contemporânea, os gaúchos sobrevivendo na selva, domando o solo rebelde do cerrado, semeando cidades, derrotando a floresta, mudando a paisagem do sertão.

Nesta expansão para o interior brasileiro, os gaúchos levaram sua indumentária, seus hábitos e sua cultura. Não constituíram caravanas ou expedições de caráter bandeirantista. Não foram para pilhar ou explorar. Pioneiros, foram para semear e ficar. Lá se estabeleceram e, apesar de todos os sacrifícios, na maior parte das vezes superaram os reveses e souberam construir, pelo trabalho, novos núcleos de progresso, disseminando pelo território nacional a maneira gaúcha de ser brasileiro. Os inúmeros CTGs que hoje se espalham pelo Brasil, são os grandes pontos de referência e realimentação da cultura gaúcha nestas novas áreas culturais influenciadas pelo “modus vivendi” do Rio Grande.

Vi confirmadas, neste belo estudo jornalístico, as conclusões que apresentei sobre as perspectivas do tradicionalismo. O método sociológico que utilizei para o exame do tradicionalismo foi confortado com os fatos, estes que terão sempre o primado sobre qualquer assertiva teórica. Pois o “Brasil de Bombachas” suscita uma outra forma de abordagem em torno do tradicionalismo, qual seja a do gaúcho trans-rio-grandense. E desde logo sugere a vitalidade incomum da cultura que se formou no Rio Grande, mercê de nossas peculiaridades regionais e históricas.

Estas constatações me permitem trazer, neste 41º Congresso Tradicionalista de São Lourenço, à beira da famosa Lagoa dos Patos, palco de tantas ações determinantes do caráter gaúcho, mais uma contribuição sobre o tradicionalismo. As teorias sociológicas nos permitem verificar que os processos de mudança social, quando ocorrem movidos por forças internas, endógenas, são mais consistentes, coerentes, harmoniosos e duradouros. Ao invés, quando movidos por forças exógenas, resultantes de impulsos externos, são postiços, anárquicos, desordenados e se institucionalizam com maior dificuldade.

A formação social do Rio Grande deu-se predominantemente de dentro para fora.

Diferentemente dos demais Estados brasileiros, cujo povoamento ocorreu do litoral para o sertão, o povoamento do Rio Grande tomou um sentido inverso. O colonizador europeu atingiu o interior da maior parte do Brasil através do grande número de portos naturais existentes no litoral, tendo muitas vezes optado por permanecer a beira-mar, praticando uma colonização de caranguejos, para usar a expressão pitoresca do Capistrano de Abreu. No Rio Grande foi diferente. Nossa costa marítima é retilínea, sem nenhum porto natural seguro desde a foz do Rio Araranguá, em Santa Catarina, até a baía de Maldonado, em Puntadel Este, no Uruguai. Apenas a foz do rio Tramandaí e o desaguadouro da Lagoa dos Patos (que os primeiros navegadores chamaram de Rio Grande), atulhados de areia movediça, ensejavam precários atracadouros. Esta configuração geográfica diferente condicionou que o povoamento de nosso Estado se fizesse de dentro para fora.

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”.

Sobre Leandro Chaves

Leandro Chaves
Professor e Tradicionalista. Filho de Italmir Maldonado Chaves (in memoriam) e Ana Maria Castro Chaves. Exerceu diversas funções em Entidades Tradicionalistas de São Gabriel; foi Sota-Capataz e Tesoureiro da 18ª Região Tradicionalista. Atualmente integra o Departamento Social do CTG Tarumã. É o idealizador do Mennatchê, um evento tradicionalista realizado no mês de Setembro, dentro de uma Escola Pública, que tem como objetivo cultuar as tradições do RS.

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