quarta-feira, 17 Janeiro 2018
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A Influência Negra no Rio Grande do Sul

O negro aparece no Rio Grande do Sul em 1725, com a frota de João Magalhães, vinda por terra. Estes negros, certamente escravos, realizavam o serviço pesado. Porém oficialmente a presença negra, no território gaúcho, data de 1737, quando o Brigadeiro José da Silva Paes se estabelece na Barra erigindo o Presídio Jesus, Maria e José, marco inicial da nossa colonização. Durante muitos anos esta região, distante e hostil, denominada Continente, foi usada como ameaça contra os escravos rebeldes ou preguiçosos do centro do Brasil, sendo estes enviados para este local, considerado por eles como pior que o inferno, um autêntico degredo na solidão verde do pampa. Assim deu-se o inicio da colonização negra no Rio Grande do Sul, estendendo para o Prata clandestinamente.

O negro marcou sua presença, indelevelmente, na História, na Geografia, no folclore, no linguajar, nas artes, no esporte e na política. Na historia, há uma notável participação dos negros durante a Guerra dos Farrapos e na Guerra do Paraguai, nesta ultima lutaram substituindo o sinhozinho branco e que, após a vitória, se recusaram a voltar para o Rio Grande. Na Geografia são muitos os topônimos de origem negra no mapa gaúcho, inclusive alguns com o nome de quilombos. No folclore, algumas lendas falam de escravos entre nós: As Torres Malditas, Cambai, Santa Josefa e o Negrinho do Pastoreio. No linguajar, são correntes termos como: caiambola, cacimba, mondongo, mocotó. Nas artes são inúmeras as influências de elementos negros, como o maior tambor brasileiro atualmente, o “sopapo”. Artistas negros marcaram a cultura brasileira como Lupicínio Rodrigues, e o ator Breno Mello, o inesquecível Orfeu Negro do cinema.

No esporte bastaria a simples menção ao nome do tricampeão Everaldo e, antes dele, o grande Tesourinha, entre muitos outros mais recentes. Na política, o grande nome é do Deputado Carlos Santos, de notável atuação parlamentar durante um quarto de século. Na culinária gaúcha brasileira, três pratos têm etiologia negra: o mocotó, a feijoada e o quibebe. Mas é na religiosidade popular que se encontra a cultura negra mais decisivamente. Desde o século passado, nota-se a existência de cultos negros em Porto Alegre com terreiros de batuque, que se proliferaram e hoje somam mais de 50.000 casas de Batuque em todo o Estado.

Fonte de pesquisa: Associação Brasileira de Cultura Negra.

Sobre Juca Castilhos

Juca Castilhos
Juca Castilhos, poeta, músico, compositor, diretor comercial do jornal Correio Gabrielense, declamador, intérprete, radialista, ex-patrão do CTG Querência Xucra, com 35 anos de vivências tradicionalistas e que a partir deste mês de abril passará a colaborar com este portal escrevendo sempre sobre a cultura gaúcha. Telefones para contatos, 55 9147 1405 ou 9995 2938, também através do e-mail jucacastilhos@bol.com.br.

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