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Antonio Augusto Fagundes, Nico Fagundes

Foto Guri de Uruguaiana
Foto: Facebook Guri de Uruguaiana

A noite de 24 de junho de 2015 vai ficar na história do Rio Grande do Sul. Foi neste dia que o Patrão Celestial chamou para junto de si um dos mais importantes expoentes da cultura gaúcha, compositor de clássicos como “Origens” e “Canto Alegretense”, ANTONIO AUGUSTO FAGUNDES, O NICO. Ele também se notabilizou por apresentar o programa “Galpão Crioulo”, da RBS TV, por cerca de 30 anos, até 2012.

Nico Fagundes nos deixou nesta quarta-feira aos 80 anos. Ele estava internado há mais de um mês no hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre, devido a problemas de saúde. De acordo com o hospital, ele faleceu às 21h10min na UTI.

Antonio Augusto Fagundes nasceu na localidade de Inhanduí, no interior de Alegrete, em 1934, conhecido como Nico Fagundes, tornou-se uma das figuras de maior referência do tradicionalismo gaúcho. Além de apresentador, poeta e compositor, tinha formação em Direito, História e Antropologia e era reconhecido como uma autoridade em folclore do Rio Grande do Sul.

Como compositor retratava os costumes e cultura gaúcha, e suas composições foram regravadas por vários artistas. A mais famosa delas, o “Canto Alegretense”, se tornou popular ao ponto de ser lembrada como um hino extraoficial do estado do Rio Grande do Sul.

Nico Fagundes fazia com que o povo gaúcho lhe admirasse, respeitasse e certificasse que era um autêntico gaúcho, pois estava sempre bem pilchado e ficava feliz quando um cidadão dizia: “lá vai um gaúcho”.

Com suas histórias difundia o que de melhor existe na cultura de seu povo, e com certeza na Estância Celestial será recebido pelos tradicionalistas que lá estão, junto ao Patrão Maior, com um chimarrão bem cevado, pois seu legado aqui já é uma realidade e jamais será esquecido pelo povo gaúcho.

(..) “E na hora derradeira que eu mereça,
Ver o sol alegretense entardecer,
Como os potros vou virar minha cabeça,
Para os pagos no momento de morrer.

E nos olhos vou levar o encantamento,
desta terra que eu amei com devoção.
Cada verso que eu componho é o pagamento,
De uma dívida de amor e gratidão”.

(Versos do “Canto Alegretense” – letra de Antonio Augusto Fagundes e música de Euclides Fagundes).

Foto RBS (1)
Foto: GRUPO RBS

 Matéria extraída de: assisbrasil.org/joao/nicofagu.htm

 Antonio Augusto (“Nico”) Fagundes nasceu em 04 de novembro de 1934, no Inhanduí, interior do município do Alegrete, 3ª Capital Farroupilha, RS, – local de tradicionais famílias campeiras da fronteira – filho de Euclides Fagundes e Florentina (Mocita) da Silva Fagundes e faleceu na última quarta-feira, 24 de junho de 2015.

Foi escoteiro e fundador, sub-chefe e chefe da Tropa “Anhangüera”. Na época de estudante destacou-se como poeta e declamador.

Iniciou a carreira jornalística em 1950, aos 16 anos, no jornal Gazeta de Alegrete, o mais antigo do Rio Grande do Sul, nas funções de cronista e repórter. No mesmo período começou a atuar na Rádio ZYE9 – Rádio Alegrete, apresentando programas humorísticos e gauchescos.

Foi secretário dos Cadernos do Extremo Sul, publicações que sob a direção de Helio Ricciardi, lançou diversos poetas da cidade de Alegrete.

Em 1954, mudou-se para Porto Alegre e é como poeta que é apresentado ao 35 CTG – Centro de Tradições Gaúchas, por intermédio do poeta Lauro Rodrigues. E nunca deixou de fazer verso. Tornou-se amigo e companheiro de Waldomiro Souza, Horácio Paz, João Palma da Silva, Amandio Bicca, Niterói Ribeiro, Luiz Menezes, José Hilário Retamozo, Hugo Ramirez, João da Cunha Vargas, ou seja, a fina flor da poesia gauchesca da época, que freqüentava o rodeio do 35 CTG, às quartas de noite e aos sábados de tarde, na Av.Borges de Medeiros, no quinto andar da FARSUL.

Conhece, então, e torna-se amigo de Jayme Caetano Braun, cujo ingresso no 35 CTG vai amadrinhar.

No mesmo ano, tornou-se redator do Jornal A Hora, no qual atuou durante muitos anos com a página Regionalismo e Tradição.

foto marconi mattos (1)O encontro de Antonio Augusto Fagundes, por esta época, com Glaucus Saraiva foi histórico: vinham de uma briga pelos jornais, mas quando se encontraram, foi amor à primeira vista, uma amizade tão forte que nem a morte de Glaucus conseguiu interromper.

Pelas páginas do jornal A Hora, lançou Jayme Caetano Braun e dois moços que estavam aparecendo com muita força: Aparício Silva Rillo e José Hilário Retamozo. O prestígio que emprestava à obra de outros poetas não fez com que descurasse de sua própria poesia.

Ganhou prêmios e concursos em Vacaria, Alegrete e em Porto Alegre.

Em 1955, passou a fazer parte do Instituto de Tradições e Folclore da Divisão de Cultura do Estado. Durante oito anos fez formação em folclorismo, especializando-se em Cultura Afro-gaúcha. Tornou-se professor de danças folclóricas e literatura gauchesca no Instituto de Tradições e Folclore. Viajou para a Europa como sapateador do Grupo Gaudérios, morando em Paris por quatro meses.

Iniciou pesquisas de indumentária gaúcha, tornando-se a maior autoridade sobre o assunto no Rio Grande do Sul.

Foi contratado pela TV Piratini para atuar como ator.

Foi um dos fundadores do Conjunto de Folclore Internacional, batizado de Os Gaúchos, e do qual foi diretor durante 15 anos.

Fundou, no Instituto de Tradições e Folclore, a Escola Gaúcha de Folclore, de nível superior, que funcionou durante seis anos. Atuou como titular nas cadeiras de danças folclóricas e indumentária gaúcha. Foi diretor da escola durante seis anos.

No início da década de 1960, conquistou o primeiro lugar em concurso literário promovido pelo Instituto Estadual do Livro, com a obra Destino de Tal. Pouco depois passou a trabalhar na TV Tupi.

Em 1960, ingressou na Faculdade de Direito de Porto Alegre. No mesmo ano, casou-se com Marlene Nahas.

Formado em Direito, pós-graduado em História do Rio Grande do Sul e Mestre em Antropologia Social, todos os seus cursos foram realizados na Universidade Federal do RGS (UFRGS).

foto fernando alencastro
Foto: Fernando Alencastro

Por todas essas suas qualificações, Antonio Augusto Fagundes é respeitado como autoridade em Folclore gaúcho, História do Rio Grande do Sul, Antropologia, Religiões afro-gaúchas, Indumentária gauchesca, Cozinha gauchesca e danças folclóricas.

Além disso, sempre deu a devida importância à dupla ligação da cultura gaúcha, com o outro Brasil e com os países do Prata. Tornou-se, assim, com o tempo e apoiado em uma biblioteca preciosa, um estudioso sério, respeitado e aclamado no Rio Grande do Sul, no Uruguai e na Argentina, conferencista bilíngüe e autor de inúmeras obras de consulta obrigatória.

Entretanto, a face menos conhecida deste intelectual brilhante, é também sua face mais antiga, a de poeta.

Ganhou prêmios e distinções importantes, como a Medalha do Pacificador, do Exército Brasileiro, a Comenda Osvaldo Vergara, da Ordem dos Advogados do Brasil, da qual é também advogado jubilado, e a Comenda do Mérito Oswaldo Aranha (esta última, em 24 de outubro de 2008, da Prefeitura de Alegrete).

Em 1976, ingressou na Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.

Desde 1982 apresenta pela RBS TV (afiliada da TV Globo) o programa Galpão Crioulo, o que já lha rendeu três prêmios internacionais: em Buenos Aires, em Nova York e na Cidade do México.

Em 1984, passou a apresentar o mesmo programa na Rádio Gaúcha.
No mesmo ano voltou a atuar no jornalismo, escrevendo no jornal Zero Hora – uma coluna semanal que mantém até hoje.

Em 1998, comandou em Paris, a apresentação do Grupo “Os Gaúchos”.

No mesmo ano escreveu a peça teatral A Proclamação da República Rio-grandense”.

Ao longo de sua carreira recebeu diversos prêmios, entre os quais, Prêmio Copa Festivales de España, Medalha de Bronze da Televisão Mundial pelo programa “Galpão Crioulo” e o Troféu Guri da Rádio Gaúcha. Recebeu inúmeros prêmios em poesia, canções gauchescas, declamações, danças folclóricas e teses. É autor de mais de 100 músicas, entre as quais, “O canto Alegretense”.

“O Canto Alegretense”, música em que os versos são de sua autoria, é mais cantado que o próprio Hino de Alegrete.

Publicou seu primeiro livro de versos “Com a Lua na Garupa” e depois o segundo “Ainda com a Lua na Garupa”.

O terceiro tem o nome de “Canto Alegretense”, nome tirado da canção famosa cujos versos escreveu. Aliás, neste livro aparecem muitas letras das suas canções mais famosas dentre as 370 gravadas e regravadas por vários intérpretes e parceiros.

Da fina flor da poesia gauchesca, da época de ouro, de poesia crioula só Antonio Augusto Fagundes continua em atividade, mantendo acesa a chama.

O velho poeta de hoje, de sempre, continua o mesmo guri que ficava horas com um caniço nas mãos, esquecido dos peixes, apenas bebendo a imensa poesia das mansas águas do Rio Ibirapuitã.

É autor de quase vinte livros, a maioria com várias reedições.

Fontes:
– Wikipédia – a enciclopédia livre (http://pt.wikipedia.org).
– http://www.dicionariompb.com.br

OS FAGUNDES

Em 24 de outubro de 2008, os autores da música Canto Alegretense, Antônio Augusto (Nico) e Euclides Fagundes Filho (Bagre) receberam a Comenda do Mérito Oswaldo Aranha em reconhecimento ao seu destacado trabalho no cenário musical estadual, nacional e até fora do país.

Comenda Oswaldo Aranha é outorgada pelo município de dois em dois anos, a no máximo cinco cidadãos que, através de seu trabalho artístico, cultural ou intelectual, levam o nome do Alegrete além dos seus limites geográficos.

A música CANTO ALEGRETENSE tornou-se um verdadeiro hino em todo o Rio Grande do Sul e foi considerada, através de decreto da Prefeitura Municipal do Alegrete (jan/2009), com valor de excepcional relevância artística, o que levou o Prefeito a efetuar o tombamento provisório da mesma, junto com outros bens e monumentos do município de Alegrete.

Na estrada próxima à cidade de Alegrete-RS (BR-290), foram instaladas várias placas (outdoors) com todos os versos do Canto Alegretense (clique aqui para ver as imagens).

CANTO ALEGRETENSE
(Letra de Antônio Augusto Fagundes e música de Euclides Fagundes)

Não me perguntes onde fica o Alegrete
Segue o rumo do teu próprio coração
Cruzarás pela estrada algum ginete
E ouvirás toque de gaita e de violão.

Pra quem chega de Rosário ao fim da tarde
ou quem vem de Uruguaiana de manhã,
tem o sol como uma brasa que ainda arde
Mergulhado no rio Ibirapuitã.

Estribilho:
Ouve o canto gauchesco e brasileiro,
Desta terra que eu amei desde guri;
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro,
Pedra moura das quebradas do Inhanduí.

E na hora derradeira que eu mereça,
Ver o sol alegretense entardecer,
Como os potros vou virar minha cabeça,
Para os pagos no momento de morrer.

E nos olhos vou levar o encantamento,
desta terra que eu amei com devoção.
Cada verso que eu componho é o pagamento,
De uma dívida de amor e gratidão.

Matéria extraída de: assisbrasil.org/joao/nicofagu.htm

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”

Sobre Leandro Chaves

Leandro Chaves
Professor e Tradicionalista. Filho de Italmir Maldonado Chaves (in memoriam) e Ana Maria Castro Chaves. Exerceu diversas funções em Entidades Tradicionalistas de São Gabriel; foi Sota-Capataz e Tesoureiro da 18ª Região Tradicionalista. Atualmente integra o Departamento Social do CTG Tarumã. É o idealizador do Mennatchê, um evento tradicionalista realizado no mês de Setembro, dentro de uma Escola Pública, que tem como objetivo cultuar as tradições do RS.

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