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As Tradições Gaúchas pelo Mundo

É Carnaval… Mas sempre é bom enaltecer as nossas tradições gaúchas e falar dela. Podem até dizer que o Brasil é conhecido pelo carnaval, pelo samba, pelo futebol, mas nossa CULTURA GAÚCHA também é conhecida pelo Mundo.

Essa é nossa maior riqueza que herdamos de nossos antepassados e levamos a este Mundo Grande de Deus.

Nossa coluna nesta segunda-feira de Carnaval vai abordar as Tradições do Rio Grande do Sul, a nossa Cultura Gaúcha, que está espalhada pelo Mundo.

Não é apenas no Rio Grande do Sul que as prendas e os peões mantêm suas tradições. Longe do Estado, Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) cultuam o folclore e os costumes da região por meio da dança, alimentação e esportes. Ao total, há quase três mil CTGs registrados no Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo.

Estados Unidos, Japão e Polônia são alguns dos países que divulgam a cultura gaúcha, com organizações tão ou mais fortes das que existem no RS, segundo o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). A Semana Farroupilha é comemorada fora do Rio Grande do Sul com o mesmo orgulho com que festejamos aqui. O Acampamento Farroupilha, realizado no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, em Porto Alegre, e os festejos são realizados durante todo o mês de setembro.

Em alguns casos, não é preciso ter nascido no Rio Grande do Sul para se considerar um gaúcho. Um dos centros localizados em Manaus, no Amazonas, empenha-se para seguir corretamente todas as normas e diretrizes do Movimento. Mesmo com temperatura e clima bem diferentes dos apresentados no sul do país, os amazonenses buscam utilizar todas as indumentárias determinados pelo MTG, sem recorrer à adaptação. “Eles fazem questão de dizer que são gaúchos, mesmo não sendo”, comenta Bertolini, Ex-Presidente do MTG.

A paixão pela história e cultura do RS pode ser traduzida também em números. Além da quantidade de CTGs – mais de 1600 no Estado, cerca de 1300 no Brasil e 16 no exterior -, são mais de 200 mil Cartões de Identidade Tradicionalistas distribuídos entre os associados do MTG. Esses cartões foram criados com o objetivo de organizar e fortalecer os quadros de associados, vinculando o seu portador a uma única entidade. O documento é necessário para representações em rodeios, torneios e competições artísticas.

PRESERVANDO AS TRADIÇÕES

As entidades tradicionalistas buscam preservar os costumes da mesma forma com que eram cultuados há gerações. “Mantemos os valores dos nossos pais e avós”. Dessa forma, o MTG criou uma “Carta de Princípios”, escrita em 1960, em que se regulamentam aspectos éticos, cívicos, culturais, estruturais e filosóficos da cultura gaúcha a serem seguidos pelos tradicionalistas.

As pilchas que devem ser utilizadas sofrem alterações dependendo da atividade desempenhada. O uso de bombachas pelas prendas, por exemplo, é permitido apenas nas práticas esportivas e campeiras, estando vetada para atividades artísticas e sociais.

A vontade de seguir as tradições segue aumentando, especialmente entre os jovens. O movimento organiza eventos ao longo de todo o ano. São congressos, festas, convenções e cirandas culturais que reúnem adultos e crianças de todas as regiões do Rio Grande do Sul. E a participação dos jovens chega a 85% em muitos deles, segundo o MTG.

Além disso, as atividades tradicionalistas também colaboram na formação dos jovens, estimulando a convivência e a determinação, na visão de Bertolini. “Muitos trabalham durante o dia, estudam à noite e treinam a música e dança nas horas que sobram. E, mesmo assim, observamos que é crescente a vontade de participar das atividades corretamente, seguindo os nossos princípios, usando as roupas adequadas”, relata.

PRIMEIRA MULHER PATRONA DA SEMANA FARROUPILHA

Apesar de seguir determinadas regras há anos, o tradicionalismo também sofre mudanças e avanços ao longo dos anos, adaptando-se aos novos estilos de vida. No ano de 2012, uma mulher foi homenageada pela primeira vez com o título de Patrona dos Festejos Farroupilhas. A proposta foi aprovada por unanimidade pela Comissão Estadual.

Nilza Lessa sempre foi uma presença ativa na preservação dos costumes gaúchos. Natural de Santana do Livramento, muito cedo se envolveu com a cultura. Nilza foi professora, produtora de TV e de eventos, gerente da Churrascaria do CTG 35 e dona de loja de artigos gauchescos emPorto Alegre.

Também é viúva do escritor, folclorista e historiador Barbosa Lessa, morto em 2002.

FIM DA AVALIAÇÃO DE BELEZA EM CONCURSO

Em junho de 2012, a convenção anual do Movimento Tradicionalista Gaúcho realizada em Guaporé, na Serra, também provocou mudanças em um tradicional Concurso do Estado. Foi aprovado ofim da avaliação do critério beleza para a escolha da Primeira Prenda do Rio Grande do Sul. As qualidades que a vencedora precisa apresentar passam, agora, pelo conhecimento de história, folclore, cultura e até de geografia.

Antes, a beleza era avaliada no quesito “características pessoais” e tinha o peso de 2,5 pontos de um total de 100. A partir de agora, o item não existe mais e a pontuação será distribuída entre simpatia e boas maneiras. Outra proposta aprovada foi a de desconsiderar eventuais erros de português durante a avaliação oral das candidatas a prenda

GAÚCHO EM QUALQUER RINCÃO**

Se você acha que gaúcho é só quem nasce no Rio Grande do Sul, é bom começar a rever seus conceitos. “Gaúcho é como uma etnia. Não importa onde nasceu, importam as tradições, a cultura”, assim define o sociólogo, e também gaúcho, Dirceu Quinelato.

Paulista de Mirandópolis, Dirceu é um dos fundadores do CTG (Centro de Tradições Gaúchas) Rincão Sulino, aqui em Londrina, que hoje conta com mais de 70 associados. “O gaúcho é um idealista. Tem um instinto de liberdade, isto que me atraiu na cultura gaúcha”. Ele ressalta que a força do CTG está na família, tradição e cultura. “Para se associar ao CTG é preciso ter uma vivência tradicionalista. Não é só dançar e fazer churrasco. Aqui é como uma pátria-mirim. Cada CTG é um pedaço do Rio Grande do Sul”, explica.

Uma “pátria” que tem até estatuto. O aposentado Ismael José da Silva, membro do conselho do Rincão Sulino, lembra que os CTGs são obrigados a seguir uma cartilha de recomendações. A partir dela, cada um dos mais de 900 Centros espalhados pelo Brasil e também em países como o Paraguai, Estados Unidos, Portugal e até Japão, preservam os aspectos da tradição gaúcha.

Nos muitos encontros não faltam músicas, danças e até declamação de poemas tradicionais. Cada detalhe é cuidadosamente preparado. Desde os trajes – no vocabulário gaúcho, pilchas – até a decoração do ambiente. A culinária também é uma atração ao público e o churrasco Fogo de Chão seu carro-chefe. A preparação da carne segue um verdadeiro ritual que começa no dia anterior ao evento. São 12 horas no tempero à base de água e sal grosso. Depois disso, as costelas são colocadas nos espetos, fincadas na terra e rodeadas por lenha. Após seis horas de fogo, o almoço já pode ser servido.

As festas são abertas ao público. O peão Orlando Alves de Oliveira comenta que já foi preparada para um único churrasco mais de uma tonelada de carne. Ele conta um pouco da técnica do churrasco: “a disposição da lenha afunila o calor e distribui igualmente na parte de cima e na parte de baixo. Por isso não queima. O que queima a carne num churrasco comum são as labaredas.”.

Para Quinelato, tudo que é feito nos CTGs tem o propósito de resgatar e reproduzir o que o gaúcho fazia na época da colonização. “Não se podem criar variantes que nos distancie desta origem”, diz. Ele confia que a tradição nunca vai se perder. “Os jovens e as crianças começaram a aderir muito aos CTGs”. Eles querem participar e falta até tempo e espaço para todo mundo. A cultura se expande cada vez mais. Não vai acabar não”, enfatiza.

Assim encerramos mais uma prosa semanal, demonstrando a todos que nossa Cultura Gaúcha também é reconhecida e praticada nos mais distantes rincões deste mundo. Somos e seremos sempre TRADICIONALISTAS e jamais estaremos TRADICIONALISTA.

(*Apoio do G1 RS em 05/09/12; **Artigo de Janaína Castro e Luiz Gustavo Ticiane).

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”.

Sobre Leandro Chaves

Leandro Chaves
Professor e Tradicionalista. Filho de Italmir Maldonado Chaves (in memoriam) e Ana Maria Castro Chaves. Exerceu diversas funções em Entidades Tradicionalistas de São Gabriel; foi Sota-Capataz e Tesoureiro da 18ª Região Tradicionalista. Atualmente integra o Departamento Social do CTG Tarumã. É o idealizador do Mennatchê, um evento tradicionalista realizado no mês de Setembro, dentro de uma Escola Pública, que tem como objetivo cultuar as tradições do RS.

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