quarta-feira, 21 novembro 2018
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Carreta: de sua origem até os dias de hoje

A Carreta ou Carro de Boi é de origem de um dos mais primitivos e simples meios de transporte, ainda em uso nos meios rurais, utilizado para o transporte de cargas de produtos agrícolas e pessoas. No Brasil, período da Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul (1.839), acontecia a invasão de Santa Catarina, observando a seguinte organização revolucionária: de um lado Davi Canabarro, defendia as tropas da terra e do outro lado Guiseppe Garibaldi chefiava o ataque pelo lado dos portos da província, setor marítimo.

Encontravam-se dificuldade, pois os dois lanchões da frota revolucionária estavam imobilizadas na foz do rio Capivari, como também a Lagoa dos Patos interceptada pela esquadra da União, restando Garibaldi a saída por terra, mas sem transporte era impossível. Veio então a solução quase mágica das mãos do marceneiro, grande mestre Joaquim de Abreu, carpinteiro de ofício e revolucionário por convicção preparou dois estrados de vigamento reforçado, aparelhou troncos em formato de eixos e o resultado final, nada mais do que dois carretões pesando 12 e 18 toneladas.

A junta de 50 bois atreladas a cada carretão, após seis dias de marcha, transportaram os barcos até ao Rio Tramandaí. O carro de boi é destaque em Portugal como BOEIRO, nos pampas gaúchos CAMBONA. O carro de boi também era usado pelos egípcios, babilônicos, hebreus, fenícios, chineses e hindus, que utilizavam este instrumento de transporte como VIA BOIS. Muito mais tarde os europeus, quando acontece a colonização da África e da América, transformam o boi como importante meio de transporte das cargas das caravelas.

Tomé de Souza, nosso primeiro governador-geral quando veio para o Brasil, trouxe carpinteiro, carreiros de bois práticos, registrando que em 1549, ouvia-se o cantador nas ruas de Salvador, dirigindo carro de boi. ‘é necessário que tenha de 15 a 20 juntas de bois com esses carros necessários aparelhados. Na colonização o movimento da indústria açucareira — da roça ao engenho — do engenho às cidades, usava-se o carro de boi para o transporte terrestre, nos séculos XVI, XVII.

Quanto ao transporte de materiais de construção para o interior e voltavam carregados de pau Brasil e material agrícolas produzidos pelos lavradores e lavouristas do interior, para o litoral brasileiro, verificando ai o quanto era importante este instrumento de transporte para a evolução industrial e crescimento produtivo do país. Além de ser um instrumento de prosperidade, também se registram como transporte de pessoas para festas e até eventos fúnebres, neste momento os carreiros tinham que lubrificar os cocões para evitar o som da cantoria extraída devido ao movimento do carro, som este era impróprio, devido ao evento fúnebre.

A evolução histórica do carro de boi, chega a intrigantes registros como, nos meados do século XVI o carro de boi era estritamente usado para transporte de cargas e de pessoas, no centro Oeste, no Sul, no Nordeste sendo indispensável o seu uso nas fazendas. No Rio Grande do Sul os carros de bois (carretas) transportavam para a Argentina e para o Uruguai a produção agrícola e na Guerra do Paraguai transportava munições e alimentos, servindo também como ambulância que atendia  os feridos da guerrilha.

Mais tarde, no século XVII, surgem as tropas de burros, o carro de boi perde a primazia, pois, eram mais leves e rápidos os muares, portanto, no final do século surgiram os cavalos para puxar os carros, carroças e carruagem, ficando o carro de boi proibido por lei de transitar nos centros das cidades, ficando o seu uso autorizado apenas para a zona rural. Veículos motorizados surgiram acelerando o processo de decadência do carro de boi no Brasil, na Argentina, em Portugal, na Espanha, na Grécia, na Turquia, no Irã, na Indonésia e na Malásia, contudo o trabalho dos artesãos continuou marcando a história deste meio de transporte tão importante para a evolução da nossa história e da história dos meios de transporte que é importante para todos os povos. Creia, o carro de boi persiste na sua marcha histórica.

Bem, no Brasil o carro de boi foi introduzido pelos colonizadores difundindo-se por todo o país, existindo até hoje nos meios rurais, nos museus e exposições que contam esta evolução histórica, como importante meio de transporte, existindo ainda alguns fazendeiros que realizam mutirões de carros de bois para transportar os seus produtos, promovendo assim eventos importantes para a valorização deste meio de transporte. Observa-se que o canto do carro de boi, é reconhecido como o som de um lamento ou gemido, é uma referência forte de nossa cultura- pois, o carro dotado de uma estrutura que não possui um diferencial musical, suas rodas travam durante as curvas, e durante este movimento o som é emitido, de forma estridente e característico som do cantador,  anunciando a sua passagem.

São Gabriel resiste as mudanças e torna-se Reduto dos Carreteiros. Com o advento do automóvel, a carreta passou a ser usada para transporte somente do interior para a cidade sede, isto é, do distrito para a cidade. São Gabriel é um dos últimos municípios do Estado do Rio Grande do Sul, onde ainda vive um núcleo de carreteiros, que usufruem deste tipo de transporte para levar os produtos de suas lavouras para ser comercializado na cidade. Estes pequenos produtores têm suas propriedades nas localidades de Pau Fincado, Vista Alegre, Lagoões e Santo Antônio, que foram os primeiros sesmeiros que povoaram essas localidades. Em sua maioria mantém a carreta por tradição, pois a função vem de várias gerações.

Dentro da valorização da classe carreteira, hoje existe no Museu do Parque Ibirapuera em São Paulo uma carreta doada pelo município, como forma de retratar uma forma histórica de transporte.

Pesquisas feitas em obras dos escritores Regina Marques e Osório Santana Figueiredo.

Sobre Juca Castilhos

Juca Castilhos
Juca Castilhos, poeta, músico, compositor, diretor comercial do jornal Correio Gabrielense, declamador, intérprete, radialista, ex-patrão do CTG Querência Xucra, com 35 anos de vivências tradicionalistas e que a partir deste mês de abril passará a colaborar com este portal escrevendo sempre sobre a cultura gaúcha. Telefones para contatos, 55 9147 1405 ou 9995 2938, também através do e-mail jucacastilhos@bol.com.br.

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