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Conflito de Gerações no Movimento Tradicionalista (parte 3)

Bom dia gaúchos deste pago santo. Com a permissão e proteção de nosso Patrão Maior, estamos mais uma vez pedindo licença para juntos prosearmos aqui no PROSEANDO COM RATINHO CHAVES.

Durante estas três ultimas semanas estamos proseando sobre uma matéria que achamos se suma importância, que merece nossa reflexão sobre o Movimento Tradicionalista, que foi publicada em ZH no dia 30 de agosto de 2014, pela repórter Kamila Almeida fez uma belíssima reportagem sobre o tema: Jovens tradicionalistas questionam regras para manter viva a cultura gaúcha “Uma geração que se debate para encontrar seu lugar em CTGs está colocando o tradicionalismo diante de uma encruzilhada”.

JOVENS QUE SE INTERESSAM POR HÁBITOS, MAS SEM ENLACES 

Gabriele Endres, 15 anos, laça desde os 12, quando ganhou seu primeiro cavalo: Farroupilha de Santa Rafaela, o pepino. Juntos, já ganharam três troféus. Gosta do tradicionalismo, mas não faz questão de estudá-lo. Cultua costumes até certo limite. Está no laço, atividade campeira tipicamente masculina, por esporte e vício. Adepta da bombacha feminina, não tem vestido de prenda. Quanto a isso, não enfrenta problemas nos rodeios que frequenta, onde a vestimenta é permitida. Nem da música tradicionalista é muito chegada.

– Eu gosto mais de sertanejo, eletrônica. Acho a música tradicionalista meio de velho – diz Gabriele.

Luiz Gustavo dos Santos Fagundes tem a mesma idade de Gabriele e, apesar de filho de patrão de piquete, também não está interessado em se aprofundar nos causos dos gaúchos do passado. Gosta mesmo é de tropear. Com nove anos, ganhou um cavalo do pai. Queria ser laçador e sonhava em competir em rodeios. Orgulha-se agora dos 20 prêmios já conquistados com a atividade. Nas competições, veste-se de peão seguindo as normas à risca e, na hora de armar as laçadas em direção ao gado, no lombo do seu companheiro preto 270 pampeiro, incorpora o homem do campo.

– Fico focado. Não escuto nada na minha volta e me sinto como um homem de antigamente – diz o menino, que mora em Canoas e tem uma vaquinha de mentira no pátio de casa, onde treina as laçadas.

Assim como os integrantes da dança, Gustavo também se queixa da fortuna que despende para se manter dentro das normas. Para ele, criado na cidade, é ainda mais caro preservar o contato com o campo. Só para manter o cavalo na hotelaria, são R$ 400 mensais.

O pai de Gustavo, Lúcio Mauro, 43 anos, faz parte do MTG, coordenando o concurso estadual de chula. Ele mesmo conta que a quantidade de regras motiva o afastamento do jovem. Em casa, tem um exemplo. Há alguns anos, surgiu a Federação Gaúcha de Laço, em oposição ao calhamaço de regras do MTG, tornando os rodeios menos exigentes. E Gustavo associou-se à nova entidade, disputando apenas os campeonatos organizados pela federação.

19 ANOS, PRENDA DE UMA REGIÃO TRADICIONALISTA, ENTRE 2009 E 2010, E UNIVERSITÁRIA…

“Nasci no movimento tradicionalista, fui prenda regional entre 2009 e 2010, dancei 12 anos e fiquei surpresa com a forma como o MTG, regiões tradicionalistas e entidades estão reagindo ao casamento gay dentro do CTG. O MTG, que é o maior movimento organizado do Mercosul, fala em inclusão social, mas que inclusão é esta em que, na primeira oportunidade que se tem de mostrar que somos a favor da inclusão, estamos excluindo as pessoas do meio tradicionalista?

Cada prenda, para concorrer na fase regional da Ciranda de Prendas, tem que fazer palestras e discursos falando de inclusão social, então estávamos pregando moral de ‘cuecas’. Falamos uma coisa e, na hora de fazer, praticamos outra? E agora lhes pergunto: como ficam os casais homossexuais dentro das invernadas? O MTG vai deixar de fazer ‘inclusão social’ e vai passar para ‘exclusão’?

O mundo tradicionalista é recheado de interesses, totalmente capitalista. As normas são apenas para alguns. A inclusão social fica mais no discurso de atrair crianças de baixa renda, que não têm como pagar suas despesas, e pelo fato de o MTG obrigar as invernadas, colocando essa tarefa como condição para se dançar o Enart. Temas mais polêmicos não são debatidos. Estão cada vez afastando mais as pessoas.
Fora as atividades artísticas, não existem atividades para aproximar os jovens ou beneficiá-los.

 A maior parte das pessoas que estão no CTG crescem dentro dele. Os jovens que buscam informações não voltam. Se assustam com tantas regras.
Eu sonhava em ser prenda. Fui prenda da minha entidade desde os quatro anos, em várias categorias. Conquistei na minha região e, depois, o sonho era representar o Estado, mas desisti. Fiquei em segundo lugar na 9ª RT em 2009 e fui me afastando. Foi natural, um choque muito grande de pensamentos.”

Encerramos aqui mais uma prosa, onde por três semanas trouxemos uma reportagem sobre um tema que nos leva a refletir, pensar e definir sobre qual o rumo de nosso Movimento Tradicionalista.

Esperamos poder contribuir com cada um de vocês para juntos refletirmos, e tentarmos ajudar nossos dirigentes do Movimento a também refletir e tirarem suas conclusões, poisnosso Movimento Tradicionalista Gaúcho precisa ver, rever e quem sabe tomar um novo norte ou seguir na mesma linha atual, pois o futuro depende dessa definição.

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”.

Sobre Leandro Chaves

Leandro Chaves
Professor e Tradicionalista. Filho de Italmir Maldonado Chaves (in memoriam) e Ana Maria Castro Chaves. Exerceu diversas funções em Entidades Tradicionalistas de São Gabriel; foi Sota-Capataz e Tesoureiro da 18ª Região Tradicionalista. Atualmente integra o Departamento Social do CTG Tarumã. É o idealizador do Mennatchê, um evento tradicionalista realizado no mês de Setembro, dentro de uma Escola Pública, que tem como objetivo cultuar as tradições do RS.

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