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De quem chega assim de mansinho

Aos leitores, parceiros, viajantes dos mares da internet, gaúchos ou não, me apresento assim meio acanhado, como guri quando chega visita, neste espaço para futuros contatos através desse vivente, nascido com tantas expectativas e promessas, deixado guardado, invernado no silêncio por algum tempo, mas que agora volta para ficar, se o Patrão Velho quiser, o Mundo Tradicionalista.

Não é preciso esconder, por valorizar a simplicidade dos atos, como alcançar um mate a um amigo, que a responsabilidade de assinar uma coluna no portal, entre tantas pessoas qualificadas e conhecedoras das particularidades da causa da cultura e do tradicionalismo gaúchos me assustou. Nunca me acreditei capaz de abraçar uma responsabilidade assim até que o idealizador do site, o Beto Gerzson, me honrou imensamente ao estender o convite para que eu integrasse o grupo de colaboradores do site. Como sou agradecido! Troquei orelha, quis sentar na rédea, até me bolear, mas depois aceitei. E com prazer, pois escrever é sublime (tanto que espero aprender algum dia), uma necessidade tal qual o ar que se respira… Sendo assim, espero poder tirar da alma, que julgo boa, assim como quem pega algo que estava guardado para ser entregue em uma ocasião especial a uma pessoa especial, algumas gotas de coisas e impressões minhas que possam ser úteis ao bem do pensamento dos meus semelhantes.

Mas, já que a primeira coluna é uma apresentação (eu sabia que estava esquecendo algo), vou me apresentar então. Venho de Cachoeira do Sul, mais precisamente do Piquiri, lá nos Olhos D’Água, terra buenacha, vermelha, inspiração para calos e lanhos de japecangas, com muitas histórias, algumas não confirmadas, que abordaremos aqui oportunamente. Nasci em Caçapava do Sul numa madrugada chuvosa. Minha mãe que disse. Não me forneceu mais detalhes, pois afirma que se atrasou e não pôde estar presente no meu nascimento… Sempre fui muito precoce (dizem que comecei a caminhar com dois meses. Dada a feiúra, ninguém queria me pegar no colo. Mas isso não precisa contar. Vai que espalhem…).

A infância foi em Cachoeira do Sul, tempos na cidade, tempos no Piquiri. Por isso a origem rural. Nas lidas brabas, mas maravilhosas do campo, me considero um conhecedor rebuscado. Até de coisas que hoje existem somente nas lembranças de alguns e nas exposições dos museus. Fui técnico em eletrônica, militar, operador de caixa, radialista e, através dos caminhos complicados mas precisos da vida, me tornei jornalista, depois funcionário público. Ou escriba, como queiram, pois apenas escrevo, seja qual for o papel.

No jornalismo, minha grande paixão, atuei em cinco periódicos, dois na grande Porto Alegre, nas editorias de Geral, Política, Rural, onde me brotava a sensibilidade do guri campeiro que sabia perguntas diferentes para fazer às fontes, e Polícia, assunto que, entre outras coisas, me proporcionou uma premiação na Capital em 2007 e também me conduziu para o emprego na Segurança Pública.

O Mundo Tradicionalista surgiu sem eu esperar. Um dia (ou uma noite, não lembro), enquanto o Gerzson me indagava, entre um mate e outro, entre uma piada e uma gracinha, sobre coisas de jornalismo, pois somos colegas de sina e lida, ele me contou da vontade de recriar o site, coisa que já havia feito antes, mas precisou parar por causa do acúmulo dos compromissos.

Como já disse, pensei em corcovear, espalhar as garras, me enfiar na cerca e me mandar lá pro capão. Mas depois vi que a ideia é nobre, assim como a cultura do nosso País Rio Grande Gaúcho do Sul e, para pessoas como nós, que tiveram e têm a vida profundamente ligada aos aspectos cintilantes de uma cultura sem comparação, é uma forma de cultuar e perpetuar nossas coisas, sem radicalismos nem tensões, mas em paz e com educação, com respeito a todas as diferenças e pontos de vista, como é típico do gaúcho autêntico. Apenas queremos dizer que somos gaúchos e nossa missão é fazer com que nossas coisas permaneçam e façam parte da vida do nosso povo, apesar da poluição da “cultura” enlatada e emburrecedora que nos é despejada dia após dia através da grande mídia.

Sem muito mais por hoje, pois é possível que já me faça cansativo, aproveito para expor uma necessidade. Preciso de inspiração para continuar escrevendo (o patrão mandou) mesmo não sendo especialista em nada, assim, peço a colaboração dos leitores através de sugestões e, claro, críticas.

Sobre Luiz Carlos Lopes

Luiz Carlos Lopes
Luiz Carlos Lopes, nasceu em 28/09/1975 na cidade de Cachoeira do Sul, Piquiri/RS. Servidor público estadual e jornalista.

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Feliz Ano Novo …

Foi muito bom!!! Muito Bom mesmo, contar sempre com a tua amizade, durante o ano ...