segunda-feira, 19 Fevereiro 2018
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Mate solito

Solidão. Então te aprochegas, ansim mansamente, de mãos dadas com essa pirralha melancolia…

Oportunista inspiração, se aproveita do mate ainda novo, pois sabe que o sofredor, de vereda, o sorve virado na cuia pequena dos dias longos, para renovar o amargo de seus anseios até quando puder.

Sabes que tua existência, assim como o eterno, tem duração curta, e que todos os solitários nasceram para serem assim, invernados, separados. Mas insistes nesse ajojo com essa piazada trabuzana, melancolia, nostalgia, solidão…

Só porque suas idades pararam, assim como tempo, tão velhas, mas sempre novas, envolventes. Se espalham, uma palanqueada na outra, para entrar na roda do mate solito, metem os pés na chaleira quente, derrubam o topete da erva, se somem na caraminguança das lembranças e das letras gastas, em busca de algo ainda novo a ser destilado da alma velha esmaecida, como a campear sentidos, outras emoções, mas certas que nenhum assombro de luz ou alegria poderá pular desses escombros de riqueza para dar fim em sua fula de existência.

Correm as galinhas, chutam ou mimam os guaipecas no terreiro do passado, encardem os garrões no barro das sangas das lembranças, mas sempre recolhem os tesouros de ouro pessoal ainda escondidos pela poeira das tropas e do tempo.

Depois dormem, em suas caminhas de pelegos, mas a inspiração, caborteira, não tem parada certa, nunca se sabe pra onde vai, nem quando vai regressar. Fica ainda a solidão e o silêncio musical do campo. O mate lavado e letras estaqueadas com linhas imaginárias no oitão, matéria eterna para futuros avios de lida e couro cru.

Sobre Luiz Carlos Lopes

Luiz Carlos Lopes
Luiz Carlos Lopes, nasceu em 28/09/1975 na cidade de Cachoeira do Sul, Piquiri/RS. Servidor público estadual e jornalista.

BOMBEIA TAMBÉM, TCHÊ!

Feliz Ano Novo …

Foi muito bom!!! Muito Bom mesmo, contar sempre com a tua amizade, durante o ano ...