terça-feira, 23 outubro 2018
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MTG: simbologia, sentido e o valor do tradicionalismo (parte 1)*

Buenas!!! Gaúchos e Gaúchas deste Rio Grande de Deus. Estamos mais uma vez pedindo licença para prosear com vocês. Primeiramente agradecendo ao Patrão Celestial por nos abençoar e proporcionar este momento de estarmos juntos proseando sobre a nossa tradição gaúcha.

Nesta semana vamos abordar sobre a SIMBOLOGIA do nosso MTG – Movimento Tradicionalista Gaúcho e começarmos a expor a tese de Barbosa Lessa sobre: SENTIDO E O VALOR DO TRADICIONALISMO, da qual estaremos em duas prosas abordando este tema.

SIMBOLOGIA

BRASÃO DE ARMAS DO MTG

O Brasão de Armas do Tradicionalismo foi constituído no XII Congresso Tradicionalista Gaúcho, em Tramandaí. O autor do projeto é HERMES GONÇALVES FERREIRA. Com o passar dos anos o brasão foi alterado, passando a constar na elipse superior, a sigla MTG ao invés da palavra “Tradicionalismo”.

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SIMBOLOGIA E CONCEITO DO BRASÃO

O Brasão de Armas do Tradicionalismo é constituído de: Escudo de Damas com bordadura em azul, perfilada de preto. Campo terciado com a seguinte composição: chefe em amarelo, com um tronco de árvore brotado em sua cor “dextra” em vermelho com um cavalo passante em amarelo partição “sinestra” em verde com cuia de chimarrão com bombinha em branco. Na bordadura em azul, duas estrelas de cinco pontas em amarelo, separam a parte superior da elipse, onde se insere o termo MTG em letras em amarelo.·.

CONCEITO

As cores representam as profissões liberais, sustentáculo socioeconômico de um povo ou organismo. No preto, a ciência; no branco, a cultura; no azul, a engenharia; no amarelo, a química; no verde, a medicina; no vermelho, o direito.

SÍMBOLOS

troncoO tronco representa o passado.
O broto representa o presente.
As sete folhas representam o tradicionalismo como organismo social de natureza nativista, cívica, cultural, literária, artística e folclórica.

mate

O mate (chimarrão) simboliza uma das virtudes, que melhor caracteriza o homem do Rio Grande do Sul: a hospitalidade.

cavalo

O cavalo representa a liberdade e é o traço de união entre os povos.·.

BANDEIRAbandeira_oficial

A Bandeira oficial do MTG é representada por um retângulo (branco) e tem um assente, em sua parte central o Brasão oficial do MTG.

SENTIDO E O VALOR DO TRADICIONALISMO (parte 1)

Barbosa Lessa

Na vida humana, a sociedade – mais que o indivíduo – constitui a principal força na luta pela existência. Mas, para que o grupo social funcione como unidade, é necessário que os indivíduos que o compõem possuam modos de agir e de pensar coletivamente. Isto é conseguido através da “herança social” ou da “cultura”. Graças à cultura comum, os membros de uma sociedade possuem a unidade psicológica que lhes permite viverem em conjunto, com um mínimo de confusão. A cultura, assim, tem por finalidade adaptar o indivíduo não só ao seu ambiente natural, mas também ao seu lugar na sociedade. Toda a cultura inclui uma série de técnicas que ensinam ao indivíduo, desde a infância, a maneira como comportar-se na vida grupal. E graças à Tradição, essa cultura se transmite de uma geração a outra, capacitando sempre os novos indivíduos a uma pronta integração na vida em sociedade.

I – A DESINTEGRAÇÃO DE NOSSA SOCIEDADE

A cultura e a sociedade ocidental estão sofrendo um assustador processo de desintegração. Incluídas nesse panorama geral, a cultura e a sociedade de quaisquer dos povos ocidentais, necessariamente, apresentam, com maior ou menor intensidade, idêntica dissolução. É nos grandes centros urbanos que esse fenômeno se desenha mais nítido, através das estatísticas sempre crescentes de crime, divórcio, suicídio, adultério, delinquência juvenil e outros índices de desintegração social.

Analisando tais circunstâncias, mestres da moderna Sociologia chegaram à conclusão de que problemas sociais cruciantes da atualidade são causados, ou incentivados, pelo relaxamento do controle dos costumes e noções tradicionais de cada cultura.

II – OS DOIS FATORES DE DESINTEGRAÇÃO

Sociólogos de renome afirmam que a desintegração social, característica de nossa época, é devida a dois fatores:

Primeiro: o enfraquecimento das culturas locais.

Segundo: o desaparecimento gradativo dos “Grupos Locais” comunidades transmissoras de cultura. Analisemos, então, esses dois fatores.

  1. a) O ENFRAQUECIMENTO DO NÚCLEO CULTURAL

A cultura de qualquer sociedade se compõe de duas partes. Há um núcleo sólido, de certa forma estável, constituído pelo PATRIMÔNIO TRADICIONAL. Nesse núcleo se concentram aqueles inúmeros hábitos, princípios morais, valores, associações e reações emocionais partilhados por TODOS os membros de determinada sociedade (como a linguagem, a indumentária típica, os princípios fundamentais de moral, etc. ou ainda, por TODOS os membros de certas categorias de indivíduos, dentro da sociedade (como as ocupações reservadas só às mulheres ou só aos homens, as reações emocionais típicas de todos os velhos ou de todas as crianças, bem como os conhecimentos técnicos reservados aos ferreiros, aos médicos, aos agricultores, etc.). Tais elementos culturais contribuem para o bem-estar da coletividade, pois o indivíduo fica sabendo como comportar-se em grupo, e qual o comportamento que pode esperar dos outros (“expectativas de comportamento”). Em suma: o cerne cultural dá, aos indivíduos, a unidade psicológica essencial ao funcionamento da sociedade.

Mas, cercando o núcleo, existe uma zona fluída e instável, constituída por elementos culturais chamados, em sociologia, Alternativas, e que são traços partilhados apenas por ALGUNS indivíduos, representando diferentes reações às mesmas situações, ou diferentes técnicas para alcançar os mesmos fins. (Certa pessoa viaja a cavalo, fazendo o mesmo percurso que outra prefere realizar em carroça; certa pessoa sente-se tremendamente ofendida se alguém faz “crítica” a um defeito físico seu, enquanto outra se comporta resignadamente face a tais críticas; etc.).

É esta zona de Alternativas que permite à cultura crescer e acomodar-se aos avanços de uma civilização. Evidentemente, quanto maior for o entrechoque com culturas diversas, maior será a possibilidade de adoção de novas Alternativas, por parte dos membros de uma sociedade.
Quando a cultura de determinado povo é invadida por novos hábitos e novas ideias, duas coisas podem ocorrer: se o patrimônio tradicional dessa cultura é coerente e forte, a sociedade só tem a lucrar com o referido contato, pois sabe analisar, escolher e integrar. em seio aqueles traços culturais novos que, dentre muitos, realmente sejam benéficos à coletividade; se, porém, a cultura invadida não é predominante e forte, a confusão social é inevitável: ideias e hábitos incoerentes sufocam o núcleo cultural, desnorteando os indivíduos, e fazendo-os titubear entre as crença e valores mais antagônicos. Quem mais sofre com essa confusão social – acentua o sociólogo Donal Pierson – são as crianças e os adolescentes, os responsáveis pela sociedade do porvir.

Crescendo nessas circunstâncias, a criança não sabe como agir, não é capaz de assumir, em seu espírito, qualquer expectativa clara de comportamento. E assim se originam, entre outros, os problemas da delinquência juvenil, resultados de uma desintegração social.

Pois bem. Devido ao surto surpreendente do maquinismo em nossos dias, bem como da facilidade de intercâmbio cultural entre os mais diversos povos, observa-se que o núcleo das culturas locais ou regionais vai se reduzindo gradativamente, a ponto de se ver sufocado pela zona das Alternativas. E a fluidez naturalmente se acentua, à medida que as sociedades mantêm novos contatos com traços culturais diferentes ou antagônicos, introduzidos por viajantes ou imigrantes, ou difundidos por livros, imprensa, cinema, etc. Nossa civilização, antes alicerçada num núcleo sólido e coerente, transformou-se numa variedades de Alternativas, entre as quais o indivíduo tem que escolher. Sem ampla comunidade de hábitos e de ideias, porém, os indivíduos não reagem com unidade a certos estímulos, nem podem cooperar eficientemente. Daí os conflitos de ordem moral que afligem o indivíduo, fazendo atarantar-se sem saber quais as opiniões e os valores que merecem acatamento.
Essa insegurança reflete-se imediatamente na sociedade como um todo e, consequentemente no Estado, pois, conforme ensina Ralph Linton “embora os problemas de organizar e governar Estados nunca tenham sido perfeitamente resolvidos, uma coisa parece certa: se os cidadãos tiverem interesses e culturas comuns, com a vontade unificada que daí advém, quase qualquer tipo de organização formal de governo funcionará eficientemente; mas se isso não se verificar, nenhuma elaboração e padrões formais de governo, nenhuma multiplicação de lei, produzirá um Estado eficiente ou cidadãos satisfeitos”.

Na próxima Prosa Semanal, estaremos abordando a segunda parte da tese: SENTIDO E O VALOR DO TRADICIONALISMO, de Barbosa Lessa, se o Patrão Maior nos permitir.

Desde já agradeço a todos por mais este momento de prosa com o RATINHO CHAVES, no nosso site: mundotradicionalista.com.br.

* Matéria com apoio do site do MTG.

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”.

Sobre Leandro Chaves

Leandro Chaves
Professor e Tradicionalista. Filho de Italmir Maldonado Chaves (in memoriam) e Ana Maria Castro Chaves. Exerceu diversas funções em Entidades Tradicionalistas de São Gabriel; foi Sota-Capataz e Tesoureiro da 18ª Região Tradicionalista. Atualmente integra o Departamento Social do CTG Tarumã. É o idealizador do Mennatchê, um evento tradicionalista realizado no mês de Setembro, dentro de uma Escola Pública, que tem como objetivo cultuar as tradições do RS.

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