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O modismo da pilcha gaúcha

Estamos mais uma vez pedindo sua permissão para juntos prosearmos sobre o que está acontecendo em nosso tradicionalismo gaúcho. Nesta semana vamos abordar um pouco sobre o MODISMO que está tomando conta de nossa indumentária gaúcha.

O Autentico Movimento Tradicionalista, ou seja, o nosso tradicionalismo nos leva a representarmos a maneira singela de vida e autenticidade dos gaúchos, criados nas estâncias e ou fazendas dos mais distantes pagos deste chão sulino. Todos seus costumes, lidas e heranças foram resgatados através do movimento criado no Colégio Júlio de Castilhos, denominado de “Grupo dos Oito”. Foram jovens, adolescentes deste educandário, liderados, nada mais nada menos,por um verdadeiro ícone do Movimento Tradicionalista Gaúcho, Paixão Cortes, que junto ao demais tinham um só objetivo, que seria de preservar o que de melhor existe em nosso pago sulino.

Foi com a bombacha, nome dado as pilchas que os peões de nossas estâncias usavam, as calças largas, dos nossos campeiros e gaúchos, que começamos a defesa, a honra e os valores de nossos antepassados, e consequentemente a transmissão do que melhor existe em nossa tradição gaúcha.

Mas atualmente, o que presenciamos. Não só quando se aproxima na data magna dos gaúchos, a nossa Semana Farroupilha, mas em qualquer rodeio, festa campeira ou evento ligado a nosso tradicionalismo, um verdadeiro MODISMO, deixando de lado o que nossos antepassados preservaram por décadas e décadas.

O que mais nos entristece é quando na semana em que todos os olhares se voltam ao sul do Brasil, seja pelos brasileiros ou turistas que vem ao nosso Rio Grande, ou pelos gaúchos do Rio Grande do Sul, semana da qual comemoramos um passado de lutas sangrentas e glórias conquistadas por nossos heróis farroupilhas, que demonstraram ao Brasil, através de um grito de revolta, a defesa do nosso chão e pelearam por uma década, ver gaúchos transformando nossa indumentária em uma moda que jamais foi imaginada pelos criadores do Movimento Tradicionalista Gaúcho.

Seja nesta época, ou nos demais dias do ano, está virando rotina presenciar muitos ditos “gaúchos”, caminhando pelas ruas, parques campeiros, centro de tradições “pilchados”, mas com um traje totalmente modificado e muitos vezes vindo ao encontro do que determina as regras de nosso Movimento Tradicionalista Gaúcho.

Nos dias atuais, nem mesmo dentro das Entidades Tradicionalistas podemos ver gaúchos pilchados corretamente, pois o modismo está tomando conta. Bombacha estreita, tênis ao invés de botas, lenço de cores que não existe significado em nossa cultura gaúcha,… entre outros acessórios.

Ai pensamos: dentro de um rodeio campeiro vamos presenciar o verdadeiro gaúcho, também muitas vezes não, pois a descaracterização da indumentária também já faz parte do dia a dia dos rodeios e festas campeiras.

Onde podemos ver o gaúcho autentico? Nos Grupos de Danças ou nas Estâncias e Fazendas deste chão sulino, pois ainda existe nas estâncias a preservação de nossa indumentária, mas também tem exceções.

Já nos grupos de danças das entidades tradicionalistas podemos ver na totalidade o cumprimento da indumentária gaúcha, pois existe regras a serem cumpridas e obedecidas, sob pena de eliminação ou perda de pontos nos concursos que por hora participam.

Mas em sua maioria, tirando os grupos de danças, o que vimos é apenas pessoas se fantasiando de gaúcho – como se nossa indumentária fosse uma fantasia!

A maioria dos gaúchos já fazem parte do modernismo e do modismo de agora! Os Centros de Tradições Gaúchas, em sua maioria, lotam nos eventos da Semana Farroupilha, mas na sua maioria por “tradicionalistas de apartamento”, onde a patronagem, permite que o modismo tome conta, em prol de valores que vem a suprir as despesas da entidade.

Até mesmo os grupos contratados para os fandangos usam pilchas totalmente descaracterizadas, mas as entidades ao invés de proibirem, permitem, pois a finalidade maior é a arrecadação de recursos para o caixa.

As entidades tradicionalistas precisam exigir e somente contratar os grupos musicais comprometidos com o nosso pago sulino e com a nossa verdadeira tradição gaúcha, e consequentemente, deixar os mercenários da tradição de lado!

Esperança… talvez, de um dia voltar a mudar e o resgate de nossa verdadeira indumentária ser vista na maioria dos gaúchos deste Rio Grande do Sul.

Mas como? Pode ser através de um Movimento Tradicionalista Gaúcho comprometido a exigir das entidades o cumprimento do que determina as regras que gerem a indumentária gaúcha.

Também, pode ser através das patronagem das entidades tradicionalistas, na exigência da pilcha correta, seja nos Fandangos, Festas Campeiras, rodeios e ouros eventos afins. Ou enfim, através da conscientização dos nossos jovens para o uso da verdadeira indumentária gaúcha, pois assim estaremos contribuindo com os nossos antepassados, que juntos lutaram por este pago sulino.

Mas o que a realidade atual nos mostra, é o modismo tomando conta a cada dia, desde nossas crianças até mesmo aos gaúchos de mais idade, que preferem esse modismo atual em relação ao uso de uma indumentária correta e trazida pelos nossos antepassados.

Que possamos juntos refletir, pois a um mês estamos trazendo o que é a verdadeira indumentária gaúcha e o que estamos vendo nas ruas deste Rio Grande, nos Fandangos e Festas Campeiras. Que essa reflexão seja rápida e breve, pois o que estamos presenciando é a ofuscação da nossa indumentária em prol do modismo do dia a dia.

Muito Obrigado a todos, por mais este convívio gaúcho, onde esperamos contribuir com cada um de vocês na reflexão sobre a nossa pilcha gaúcha.

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”.

Sobre Leandro Chaves

Leandro Chaves
Professor e Tradicionalista. Filho de Italmir Maldonado Chaves (in memoriam) e Ana Maria Castro Chaves. Exerceu diversas funções em Entidades Tradicionalistas de São Gabriel; foi Sota-Capataz e Tesoureiro da 18ª Região Tradicionalista. Atualmente integra o Departamento Social do CTG Tarumã. É o idealizador do Mennatchê, um evento tradicionalista realizado no mês de Setembro, dentro de uma Escola Pública, que tem como objetivo cultuar as tradições do RS.

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