terça-feira, 23 outubro 2018
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O mormo e a dúvida

Na coluna desta semana vamos abordar a questão do MORMO e a dúvida que está na cabeça de cada gaúcho de nosso Rio Grande do Sul.

Inicialmente vamos falar do que é o MORMO?

imagesO MORMO é uma doença infecto-contagiosa que acomete cavalos, mas também pode ser contraída pelos cães.  Esta enfermidade é conhecida à vários séculos e no ano de 1968 foi considerada extinta no Brasil. No entanto, estudos sorológicos realizados nos anos de 1999 e 2000 detectaram a presença da doença em alguns estados do país. Já nos Estados Unidos e na Europa, esta doença foi erradicada; na África e Ásia frequentemente é diagnosticada.

A infecção por esta bactéria se dá através do contato com fluídos corporais dos animais doentes, como: pus, urina, secreção nasal e fezes. Este agente pode penetrar no organismo pela via digestiva, respiratória, genital ou cutânea (através de alguma lesão), alcançando a circulação sanguínea e indo alojar-se em alguns órgãos, em especial, nos pulmões e fígado. Esta bactéria possui um período de incubação de aproximadamente 4 dias.

Após sabermos o que é MORMO, vamos saber como tratar essa doença?

O tratamento não é indicado, pois os animais permanecem infectados por toda a vida, tornando-se fontes de infecção para outros animais. Porém, quando é realizado, recomenda-se o uso de produtos a base de sulfas, em especial, sulfadiazina durante 20 dias.

O controle do mormo é baseado no isolamento da área que contém animais doentes, sacrifício destes animais positivos, isolamento e reteste dos suspeitos, cremação dos corpos dos infectados, desinfecção das instalações e todo o material que entrou em contato com os doentes. Deve também ser feito um rigoroso controle do trânsito de animais entre os estados e internacionalmente, com apresentação de resultados negativos de testes realizados até, no máximo, 15 dias antes do embarque dos animais.

O ressurgimento da suspeita de MORMO no Estado do Rio Grande do Sul:

Um foco da doença foi identificado no município de Rolante, deixando em alerta criadores e cancelando classificatória do Freio de Ouro, Rodeios e Festas Campeiras. Depois de detectar um caso de mormo no município gaúcho de Rolante no último dia 02 de junho de 2015, a Secretaria da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul (SEAP) determina que, a partir do dia 03 de junho de 2015, todos os equídeos só podem transitar no estado com apresentação de  exame negativo da doença.

A Coordenação Estadual do Programa Nacional de Sanidade de Equídeos, da Divisão de Defesa Sanitária Animal do Departamento de Defesa Agropecuária (DDA), com objetivo de sanear o foco e impedir a disseminação da enfermidade, está adotando as medidas de defesa sanitária animal em consonância com as ações de prevenção e controle de Mormo, previstas na Instrução Normativa nº 024 de 05/04/2004, publicada pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA.

Mormo é uma enfermidade de equídeos que causa febre, úlceras na mucosa nasal, descarga nasal purulenta ou sanguinolenta, abscessos nos linfonodos e dispneia. É uma das doenças de Notificação Obrigatória ao Serviço Veterinário Oficial conforme a Instrução Normativa/MAPA nº 50 de 24/09/13, doença infecciosa que acomete equídeos e trata-se de importante zoonose. Portanto, toda suspeita de mormo deve ser notificada imediatamente a SEAP, através de suas Inspetorias de Defesa Agropecuária para que sejam adotadas as medidas sanitárias pertinentes.

Em caso de dúvidas o produtor ou criador pode consultar a IDA de seu município, a lista com as IVZ responsáveis pelos municípios com telefone e endereço está disponível no site da Secretaria da Agricultura e Pecuária.

mormo 2Em breve o MTG/RS, Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul  e SEAPA – Secretaria da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Su, que conjuntamente monitoram a doença, irão realizar uma reunião para definir alguns procedimentos a respeito das cavalgadas da chama crioula e dos desfiles de 20 de setembro.

Segundo informações da Inspetoria de Defesa Agropecuária, as guias para transportes de animais (GTA) somente é emitida com a apresentação de Atestado Negativo de mormo, Anemia Infecciosa e Influenza (garrotilho), sem os quais os animais não podem transitar nem mesmo dentro do Estado do RS (a emissão da GTA on line está suspensa).

Alguns rodeios já foram cancelados e nenhum evento que reúna animais poderá ser realizado sem que seja exigida a GTA válida que, por enquanto, somente poderá ser emitida nas inspetorias veterinárias.

A ausência de GTA pode acarretar a multa de até R$ 1.500,00 por animal e de R$ 15.000,00 para o promotor do evento. Também foram orientados todos os Coordenadores Regionais do MTG/RS, para que ao tomarem conhecimento de eventos “clandestinos” que envolvam cavalos, devem informar a SEAPA.

O MTG/RS emitiu uma NOTA OFICIAL sobre o MORMO:

mtg rsMormo – MTG solicita atenção de todos envolvidos em eventos – Suspensa a GTA On Line

Of. Circ. Nº 018/15

Senhores Coordenadores Regionais, Senhores Conselheiros do MTG

Como é do conhecimento geral, no dia 02 de junho de 2015 foi comprovada a ocorrência de um foco de “mormo” numa propriedade localizada no Município de Rolante. Uma égua morreu por causa da doença e um potro, filho daquela égua, foi sacrificado quando foi comprovada a presença da doença nele. Em razão desse episódio, o estado perdeu a condição de “livre da doença mormo” e, em consequência, todos os equinos para obterem a Guia de Transito Animal – GTA, deverão ser submetidos ao exame da doença e obter o resultado negativo. Permanecem as exigências do exame na anemia e da vacina da influenza.

A respeito da doença esclarecemos que:

  1. Ela não possui cura;
  2. Ela pode atingir os seres humanos;
  3. O tempo de incubação pode chegar a seis meses.

Sobre a realização do exame:

  1. Não há, por enquanto, laboratório no RS apto a realizar o exame. A SEAPA está empenhada em apressar a habilitação de no mínimo um laboratório no RS;
  2. Os exames são realizados nos estados do Paraná, são Paulo e Rio de Janeiro;
  3. A coleta de material (soro) para enviar para exame pode ser feita por veterinário cadastrado junto à SEAPA, para isso devem procurar as inspetorias veterinárias e preencher as condições definidas;
  4. O exame tem validade por 60 dias;
  5. Até o dia 02 de dezembro (seis meses após o aparecimento da última incidência) será exigido o exame para o transito de equinos no estado. Se houver outra incidência da doença, a contagem do tempo volta a zero.

Nenhum evento que reúna animais poderá ser realizado sem que seja exigida a GTA válida que, por enquanto, somente poderá ser emitida nas inspetorias veterinárias (a emissão da GTA on line está suspensa).

A ausência de GTA pode acarretar a multa de até R$ 1.500,00 por animal e de R$ 15.000,00 para o promotor do evento.

Vices-presidentes do MTG e da FCG debateram na secretaria da Agricultura a questão do Mormo
Vices-presidentes do MTG e da FCG debateram na secretaria da Agricultura a questão do Mormo

As coordenadorias regionais, ao tomarem conhecimento da realização de eventos “clandestinos” que reúnem cavalos (rodeios, torneios de vacas mecânicas, etc.) deverão comunicar diretamente à fiscalização da SEAPA, por email: fiscalização@agricultura.rs.gov.br. Se não houver providencias ou se não houver pelo menos uma resposta da SEAPA, o coordenador regional deverá comunicar o caso ao MTG para medidas junto à direção da Secretaria.

O MTG e a SEAPA estão unidos na adoção de medidas que possam minimizar as consequências do aparecimento da doença no RS, mas para que tenham sucesso nesse intento, necessitam da parceria, da compreensão e do empenho de todos.

Nos próximos 30 dias, tanto o MTG quanto a SEAPA, farão o monitoramento da situação, para que em nova reunião possam definir alguns procedimentos a respeito das cavalgadas da chama crioula e dos desfiles de 20 de setembro.

Enquanto isso, orientamos a todos para que providenciem a realização dos exames necessários para poder obter as GTAs.

 Porto Alegre, 11 de junho de 2015.

RS

Como podemos analisar e concluir, após sabermos um pouco da doença MORMO, suas causas e consequências, que:

Nenhum evento que reúna animais poderá ser realizado sem que seja exigida a GTA válida que, por enquanto, somente poderá ser emitida nas inspetorias veterinárias (a emissão da GTA on line está suspensa).
A ausência de GTA pode acarretar a multa de até R$ 1.500,00 por animal e de $ 15.000,00 para o promotor do evento.

E, nos próximos dias, tanto o MTG quanto a SEAPA, que estão fazendo o monitoramento da situação, estarão realizando uma nova reunião para definir alguns procedimentos a respeito das cavalgadas da chama crioula e dos desfiles de 20 de setembro.

A nossa Coluna PROSEANDO COM RATINHO CHAVES e site mundotradicionalista.com.br continuarão no aguardo das próximas definições sobre o MORMO, enquanto isso, orientamos a todos para que providenciem a realização dos exames necessários para poder obter as GTAs.

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”.

Sobre Leandro Chaves

Leandro Chaves
Professor e Tradicionalista. Filho de Italmir Maldonado Chaves (in memoriam) e Ana Maria Castro Chaves. Exerceu diversas funções em Entidades Tradicionalistas de São Gabriel; foi Sota-Capataz e Tesoureiro da 18ª Região Tradicionalista. Atualmente integra o Departamento Social do CTG Tarumã. É o idealizador do Mennatchê, um evento tradicionalista realizado no mês de Setembro, dentro de uma Escola Pública, que tem como objetivo cultuar as tradições do RS.

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