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Será que nosso tradicionalismo virou um comércio?

Com a permissão de nosso patrão celestial lhe peço licença para mais uma prosa semanal com Ratinho Chaves. A cada semana tentamos trazer uma contribuição, ou reflexão sobre o nosso tradicionalismo gaúcho.

Nesta semana trazemos um questionamento: SERÁ QUE NOSSO TRADICIONALISMO GAÚCHO NÃO VIROU UM COMERCIO? Pelo que estamos presenciando nos dias atuais podemos dizer com certeza… Virou um comércio.

A situação econômica do País passa por imensa dificuldade, em todos os segmentos, dos mais variados que possam existir, e no nosso tradicionalismo também estamos passando por inúmeras dificuldades de ordem financeira.

Mas o principal questionamento que vamos abordar é: o comércio que está virando o nosso Movimento Tradicionalista Gaúcho, pois nos dias atuais os nossos dirigentes do movimento estão comercializando a nossa cultura gaúcha, ao invés de tentar difundi-la com o amor que nossos antepassados nos deixaram.

Primeiramente para fazer parte de uma entidade tradicionalista gaúcha, desde seus primeiros passos, seja nos grupos de danças, na invernada campeira ou em qualquer modalidade artística individual a criança tem que fazer seu cartão tradicionalista, um pequeno custo inicial, sem falar das demais despesas que o movimento tradicionalista derrama sobre as nossas tradições.

Passando pelo famoso Cartão Tradicionalista vêm as demais despesas, pois as entidades tradicionalistas, em sua grande maioria, principalmente na região da metade sul deste pago sulino, não tem condições financeiras de contribuir com as crianças no seu aperfeiçoamento, para que assim possam representa-la nos mais diversos concursos que existem pelo Rio Grande do Sul, seja de ordem cultural, esportiva, artístico ou campeiro, acarretando despesas para seus pais.

E o MTG?

1. O que fazem com as mensalidades anuais que cobram de seus filiados que gera na casa dos milhões?

2. O que fazem com a arrecadação sobre o Cartão Tradicionalista?

3. Investem em cursos de aperfeiçoamento dos instrutores de danças?

4. Investem no aperfeiçoamento dos narradores de rodeios?

5. Investem nos avaliadores dos concursos artísticos e campeiros?

Pelo que vimos nos questionamentos acima todas as respostas são NÃO.

Pelo contrário. Cobram sobre as mudanças que a cada ano inventam para arrecadar mais e mais dinheiro. Como por exemplo: uma determinada dança usa a ponta do pé e no próximo ano mudam para todo pé, achando assim um meio de reciclar os instrutores e cobrar para tal.

Mas e o dinheiro que as entidades pagam não poderia ser usado para isso? Não poderia deixar as danças como Paixão Cortes criou?

Não, é mais fácil cobrar e assim arrecadar fundos, pois para nossos dirigentes do Movimento Tradicionalista Gaúcho é o melhor, e não difundir cada vez mais a nossa cultura gaúcha.

Para eles se permanecerem as tradições herdadas de nossos antepassados não poderiam cobrar nada. Não teriam este meio para mais arrecadação.

Quando uma determinada entidade realiza um evento, por exemplo, e precisam de avaliadores do MTG tem que pagar todas as despesas, além das demais que já são provenientes da realização do evento. Será que o MTG não poderia financiar esses avaliadores para julgar o evento? Claro que não, pois sairia do cofre da entidade que comanda o Tradicionalismo no RS e é mais fácil cobrar as despesas das entidades tradicionalistas.

Respeito quem pensa ao contrário, mas o que presencio nos dias atuais é que nosso Movimento Tradicionalista Gaúcho virou um grande comércio. Comércio da qual seus clientes, que são os tradicionalistas, não veem onde são aplicados os recursos oriundos das cobranças do MTG.

Fica meu questionamento. SERÁ QUE NOSSO TRADICIONALISMO GAÚCHO NÃO VIROU UM COMERCIO?

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”.

Sobre Leandro Chaves

Leandro Chaves
Professor e Tradicionalista. Filho de Italmir Maldonado Chaves (in memoriam) e Ana Maria Castro Chaves. Exerceu diversas funções em Entidades Tradicionalistas de São Gabriel; foi Sota-Capataz e Tesoureiro da 18ª Região Tradicionalista. Atualmente integra o Departamento Social do CTG Tarumã. É o idealizador do Mennatchê, um evento tradicionalista realizado no mês de Setembro, dentro de uma Escola Pública, que tem como objetivo cultuar as tradições do RS.

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