terça-feira, 20 novembro 2018
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Tiro de laço. Será que vai terminar?

Buenos dia amigos(as). Bom dia gaúchos(as). Estamos mais uma vez pedindo a sua permissão para juntos prosear contigo em mais uma semana aqui no mundotradicionalista.com.br

O Proseando com Ratinho Chaves trás nesta semana um questionamento que surgiu na imprensa gaúcha, onde o Presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho, MTG, do Rio Grande do Sul, Sr. Manoelito Savaris diz que: “eu tenho dito, mesmo tendo estado em Brasília essa semana e conseguido algumas coisas: no futuro, o campeirismo no Movimento Tradicionalista Gaúcho será feito pelas cavalgadas, não pelo tiro de laço. O tiro de laço tem seus dias contatos, eu não tenho dúvidas disso. Mas a cavalgada vai ficar, o homem a cavalo vai ficar”.

No mínimo ao se pronunciar sobre o tema acima o Presidente do MTG foi infeliz em sua colocação, pois acreditamos que nossa cultura jamais vai terminar, seja no Tiro de Laço, nas danças, na chula, ou qualquer outra atividade relacionando ao nosso tradicionalismo.

Claro, que nos dias atuais muitas modificações se presenciaram nos Rodeio e Festas Campeiras, principalmente no que se refere à questão financeira, mas todas as questões são superadas pelo amor de nós gaúchos pela nossa tradição gaúcha.

Terminar o Tiro de Laço??? Não sou nenhum vidente para bater o martelo. Mas acredito que essa cultura gaúcha não tem como terminar, pois é uma herança que é herdada de pai para filho, independente da geração. Modificações sim, acreditamos que ocorra, mas o Tiro de Laço terminar, me desculpe senhor Presidente Savaris,acredito que é quase impossível, mas como disse, não sou nenhum vidente e não tenho o poder da caneta de baixar uma determinação e terminar com o Tiro de Laço ou qualquer outra prova em Rodeios, Festas Campeiras ou eventos artísticos.

Modificações acreditamos que ocorra no passar dos anos como vem ocorrendo, pois antigamente, por exemplo, nos eventos campeiros o gado para a realização do Tiro de Laço e outras provas que necessitam de animais bovinos era emprestado pelos produtores e hoje o gado é alugado.

Mas apesar das modificações a cada ano que passa mais adeptos ao Tiro de Laço surge, unindo gerações e espalhando essa cultura pelo Brasil a fora.

O que diz Cleber Vieira, Presidente da Federação gaúcha do Laço, sobre a manifestação do Presidente do MTG (matéria extraída do facebook de Giovani Grizotti):

Boa tarde amigos, como muitos sabem estive também em Brasília para defender o rodeio como cultura, mesmo sendo presidente de uma entidade que tem o laço como cultura esportiva tradicional do RS, dei minha contribuição, fomos bem recebidos pelos deputados.

Agora me deparo com uma notícia destas, ou seja, uma previsão de futuro dada por um presidente de uma entidade que deveria estar do lado do pessoal do laço, MTG, a mim que tive uma passagem rápida no movimento, de 98 a 2001 e observei coisas que com as quais não concordava, não me deixa espantado em nada este tipo de posicionamento, mostra o que a muito se sabe mas poucos admitem ou enxergam, que não sabem nada de campeira, não conhecem a realidade do que estamos vivendo, muito menos o potencial que é o cavalo e o esporte do laco, este senhor e sua entidade comanda os nossos CTGs Com mão de ferro, e vejam o que está acontecendo com eles! Se não todos quase todos passam por grandes dificuldades, para não dizer falidos, e porque?

Arrisco a dizer que por visões como esta de seu comandante, que ao invés de ajudar só complica cada vez mais as coisas para eles, e é por demais lamentável tal previsão que certamente não se realizará, por ser feita por alguém que não conhece a fundo o que se passa ao seu redor, de mães Dina a cartomantes o mundo está lotado, búzios e outros, se adivinhassem o futuro, os detentores destes poderes adivinharia o Mega Sena para seu próprio bem, então sobre tão sombria opinião pirotécnica deste cidadão não levemos em conta, profecias de que o mundo terminaria a muitas datas já passadas foram muitas, e estamos aí cada dia mais fortes, e estes bidus ultrapassados deixem devanear como quiserem, viva o laço esportivo tradicional de bota e bombacha.

Cleber Vieira – Presidente da Federação Gaúcha de Laço.

Manifestação do Presidente do MTG, Manoelito Savaris, sobre a matéria divulgada no facebook de Giovani Grizotti (matéria extraída do facebook de Giovani Grizotti):

Não tenho o hábito de responder às suas provocações e tão pouco às ofensas que algumas pessoas me dirigem a partir dessas provocações. Hoje, no entanto, faço isso na tentativa de evitar que continuem as ofensas pessoais que não ajudam a ninguém, exceto a quem tem outros interesses.

A questão do tiro de laço, uma das mais antigas e importantes manifestações da cultura campeira (só não é mais antiga do que a doma e o uso das boleadeiras) é executado nos torneios e rodeios como forma de manter viva uma tradição que transcende ao próprio laçar, para se fixar na prática da monta do cavalo e da lida com o boi. Sei perfeitamente que muita gente faz do tiro de laço uma prática desportiva ou de lazer, ou ainda como um jogo com o fim de ganho. As instituições, no entanto, não podem promover essa atividade com esse fim. O fim deve ser o da manutenção cultural. Quem ainda não viu isso é porque não está percebendo o que ocorre na sociedade.

Quanto a minha posição a respeito do tiro de laço, realmente penso que a prática – assim como é executada – terá duração limitada. Há várias razões para que pense assim, o que não impede que faça de tudo para que o tiro de laço continue fazendo parte das práticas tradicionalistas. Como patrão de CTG sempre estimulei a prática. Como organizador de rodeio emprestei meu apoio à atividade do tiro de laço, assim como na condição de coordenador regional (perguntem aos campeiros que me acompanharam nos anos de 1996 e 1997. Estou nessa lida a muito mais tempo do que muitos imaginam). Como presidente do MTG estive à frente de sete festas campeiras. Perguntem aos laçadores se alguma vez lhes faltei em apoio e respeito.

Perguntem quem foi o primeiro a tratar com o Ministério Público a assinatura de um TAC para impedir o prosseguimento de ação judicial que pretende proibir o tiro de laço. Perguntem quem procurou os deputados federais (não hoje, mas ainda em 2009) para que a proposta do Deputado Tripoli não prosseguisse. Perguntem quem deu guarida à audiência pública no Rio Grande do Sul para que o Deputado Afonso Hamm defendesse o parecer contrário ao fim do tiro de laço. Perguntem quem trabalhou junto ao Deputado Pompeu de Matos para que ele apresentasse projeto de lei reconhecendo o rodeio crioulo e suas atividades campeiras e artísticas, como manifestação cultural brasileira.

Todos sabem que não sou laçador. Sequer sou um cavaleiro permanente. Assim como muitos não o são, e nem por isso conhecem menos ou são menos comprometidos com a preservação da cultura campeira e suas manifestações. Não sei muito sobre veterinária, mas eu nunca proporia que uma rês realizasse 25 voltas na cancha sem descanso. Assim como nunca proporia que um cavalo somente pudesse realizar 40 voltas sem intervalo. No primeiro caso há um exagero reconhecido pelos próprios laçadores e no segundo caso a prática mostra que um bom cavalo pode, num mesmo dia, ser utilizado por bem mais do que 40 laçadas.

Pois bem, quando afirmo que o tiro de laço, assim como ele é praticado, está com os dias contados, quero despertar o debate sobre o que realmente interessa, ou seja, qual a função do tiro de laço e qual a sua importância cultural? Como estão as relações entre os participantes dos rodeios? Porque ainda existem pessoas que brigam e ofendem se laçam para se divertir e para cultuar as tradições? Porque ainda temos gente tratando os animais de forma equivocada? Etc.

Repito: não vou responder às ofensas. Quem ofende deve se imaginar um ser tão superior que pode fazer isso por um direito natural.

Em 02 de novembro de 2015.

Manoelito Carlos Savaris – Presidente do MTG

Que a polêmica sobre tal previsão fique apenas no papel, pois somos sabedores que nossa cultura jamais será apagada ou terminada, modificações vão ocorrer, mas decretar o fim de uma tradição acredito que é apenas palavras e não vai ocorrer.

Estaremos apostos para qualquer novidade sobre o tema abordado nesta nossa coluna, pois a tradição gaúcha merece ser tratada com respeito, seja por quem quer que for, pois é uma herança que nossos antepassados nos deixaram e vamos lutar a cada dia para seguir enaltecendo o que de melhor existe em nosso Rio Grande do Sul.

Assim encerramos mais uma prosa semanal com o Ratinho Chaves na certeza que nosso Patrão Celestial está nos abençoando para seguir trazendo o que está em evidência no nosso Movimento Tradicionalista Gaúcho.

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”.

Sobre Leandro Chaves

Leandro Chaves
Professor e Tradicionalista. Filho de Italmir Maldonado Chaves (in memoriam) e Ana Maria Castro Chaves. Exerceu diversas funções em Entidades Tradicionalistas de São Gabriel; foi Sota-Capataz e Tesoureiro da 18ª Região Tradicionalista. Atualmente integra o Departamento Social do CTG Tarumã. É o idealizador do Mennatchê, um evento tradicionalista realizado no mês de Setembro, dentro de uma Escola Pública, que tem como objetivo cultuar as tradições do RS.

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