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Tradição, Tradicionalismo e Nativismo

Com um cinchado abraço, estamos abrindo as cancelas de nossa prosa semanal no Mundo Tradicionalista. Na prosa desta semana vamos relatar um pouco sobre o tradicionalismo, a tradição e o nativismo, da qual estaremos proporcionando aos gaúchos e gaúchas de nosso pago grande de Deus saber um pouco do significado de tradicionalismo, tradição e nativismo.

TRADICIONALISMO

Tradição e nativismo podem andar com uma única pessoa. Existem no singular. Tradicionalismo, não é obrigatoriamente associativo, coletivo. Tradicionalismo é um movimento cívico-cultural. É a tradição em marcha, resgatando valores que são válidos não por serem antigos, mas por serem eternos, exatamente os valores que trouxeram o Rio Grande e o gaúcho do passado para o presente, projetando-os no futuro.

Desde o século XIX, a fundação de entidades tradicionalistas aponta para a tentativa de se organizar a tradição como movimento.

Em 1857, funda-se na Corte do Império Brasileiro (Rio de Janeiro) a Sociedade Sul-Riograndense, de cunho tradicionalista. Entre seus fundadores, Pereira Coruja, autor da primeira pesquisa de folclore feita no Rio Grande do Sul. Os demais eram homens ricos, intelectuais, jornalistas, que fugiram das guerras que lavraram episodicamente no sul. A Sociedade Sul-Riograndense existe até hoje, é muito rica e tem inclusive, um CTG, os “Desgarrados do Pago”, com sede social e campeira, onde realiza até rodeios crioulos.

No Uruguai, em 1894, poetas e outros artistas e intelectuais platinos fundam a Sociedad La Criolla, oficialmente para o culto das tradições gauchescas, mas na realidade para combater a invasão dos “gringos”, dos descendentes de italianos, que arrancavam para o campo uruguaiano com muita força.

No Rio Grande do Sul, a 22 de maio de 1898, o Major João Cezimbra Jacques, do Exército brasileiro, gaúcho de Santa Maria (Rio Grande do Sul), inspirado na Sociedad La Criolla, funda em Porto Alegre o Grêmio Gaúcho, para unir os rio-grandenses desunidos pela sangrenta Revolução de 1893 ou Revolução Federalista, que se prolonga até 1895. O Major Cezimbra Jacques, que é hoje patrono do Movimento Tradicionalista Gaúcho, tentou efetivamente deflagrar um movimento tradicionalista, incentivando a fundação de sociedades congêneres nas demais cidades gaúchas. Em Pelotas, funda-se a 10 de setembro de 1899 a União Gaúcha, mais tarde chamada “União Gaúcha J. Simões Lopes Neto”, que teve em suas lideranças nada menos que o grande escritor João Simões Lopes Neto. Em Bagé, seis dias mais tarde (16 de setembro de 1899) funda-se o Centro Gaúcho.

Chega o século XX e a 12 de outubro de 1901 funda-se em Santa Maria o Grêmio Gaúcho, claramente atendendo ao chamamento de Cezimbra Jacques, “cria da terra”.

Cezimbra Jacques é transferido para o Rio de Janeiro, onde morre, alguns anos mais tarde, sem voltar aos pagos. A União Gaúcha ainda resiste vários anos, mas termina paralisando suas atividades. Do Centro Gaúcho, de Bagé e do Grêmio Gaúcho, de Santa Maria, pouco se falou, depois da festa de fundação. Desapareceram sem maiores consequências. O próprio Grêmio Gaúcho de Porto Alegre termina abandonando sua missão pioneira e, apesar do vasto e valioso patrimônio em imóveis que ainda hoje tem, agora é apenas uma associação suburbana, fechada, na mão de poucos, que há de ser mais cedo ou mais tarde desapropriado em função do seu valor histórico.

Tradicionalismo gaúcho é um movimento cívico-cultural que valoriza e preserva as tradições gauchescas do Rio Grande do Sul. Tradicionalismo gaúcho, ou movimento tradicionalista rio-grandense, que deriva do termo tradicionalismo – sistema filosófico que coloca a tradição como critério e regra de decisão -, foi criado por João Cezimbra Jacques que sonhava com um movimento que unisse e congregasse a família gaúcha em torno de ideais comuns. Cezimbra Jacques, pensando nisso, fundou, em Porto Alegre, a 22 de maio de 1898, o Grêmio Gaúcho.

TRADIÇÃO

Tradição vem do latim tradere (traditio, traditions), que quer dizer trazer atéentregar. Em Direito, tradição significa entrega. Em um sentido mais amplo, tradição quer dizer o culto dos valores que os antepassados nos legaram, nos entregaram. No tradicionalismo, ela é evidentemente falsificada.

Todo grupo social, toda a nação, tem sua própria escala de valores e é essa escala que torna os povos distintos entre si. Os gaúchos se distinguem de outros brasileiros – e mesmo de outros povos, no mundo – porque tem uma escala de valores muito característica, cultuando uma extensa gama de valores.

NATIVISMO

Os valores do culto à Tradição mais característicos do Rio Grande do Sul são o nativismo, a coragem, a hospitalidade, a honra, o respeito à palavra empenhada, o cavalheirismo, além de outros.

Assim, vê-se desde logo que o Nativismo não é um culto, como a Tradição, mas um dos valores desse culto. Nativismo é o amor que a pessoa tem pelo chão onde nasceu, onde é nato. Os gaúchos tem em seu vocabulário duas palavras muito bonitas ligadas ao Nativismo: pago e querência. Pago é onde se nasceu. Querência é onde se vive. Às vezes se confundem, porque é muito comum as pessoas nascerem e viverem no mesmo lugar. Às vezes, não. Um diálogo muito comum é este: “De onde tu és cria, vivente?” “Eu sou dos pagos do Alegrete, mas estou aquerenciado em Porto Alegre”.

O gaúcho é tão nativista que chega a ser bairrista e o bairrismo deve ser percebido como a caricatura do Nativismo. Existem rivalidades bairristas entre cidades gaúchas, alimentadas pela juventude, sobretudo no carnaval e no esporte: Alegrete x Uruguaiana, Alegrete x Quaraí, Santa Maria x Cachoeira do Sul, Dom Pedrito x Bagé, Rio Grande x Pelotas, Passo Fundo x Carazinho, Caí x Montenegro, Júlio de Castilhos x Tupanciretã, Caxias do Sul x Bento Gonçalves, São Leopoldo x Novo Hamburgo, Estrela x Lajeado e assim por diante. E apelidos, da mesma origem: os alegretenses são chamados “café-com-leite” e, por sua vez, chamam os uruguainenses de “farinheiros” e os quaraienses de “barbicachos”. Os moradores de Tupanciretã são chamados de “repolhos” e, por sua vez, chamam os habitantes de Júlio de Castilhos de “fincão” e os da Capela dos Quevedos de “papudos”. Os moradores da cidade de Rio Grande são os “papa-areias”, ou “bicuíras”. Os de Santa Vitória do Palmar são os “mergulhões”.

Difícil ter um povo tão nativista como o gaúcho. Por isso, existe uma tendência para se chamar de nativista a arte que nasce da terra: teríamos assim a poesia nativista, o romance nativista, a música nativista, a canção nativista. O melhor, quando se fala em arte é dizer, simplesmente, “regionalista gauchesca”.

Esperamos que a nossa coluna semanal pudesse proporcionar a cada leitor a diferença e o significado de cada um dos três temas abordados, e que a cada dia possamos estar cultuando o que de melhor existe em nossas tradições gaúchas e divulgar o nosso tradicionalismo pelo mundo a fora.

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra.”

Sobre Leandro Chaves

Leandro Chaves
Professor e Tradicionalista. Filho de Italmir Maldonado Chaves (in memoriam) e Ana Maria Castro Chaves. Exerceu diversas funções em Entidades Tradicionalistas de São Gabriel; foi Sota-Capataz e Tesoureiro da 18ª Região Tradicionalista. Atualmente integra o Departamento Social do CTG Tarumã. É o idealizador do Mennatchê, um evento tradicionalista realizado no mês de Setembro, dentro de uma Escola Pública, que tem como objetivo cultuar as tradições do RS.

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